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quinta-feira, 12 de março de 2020

#309 ESPECIAL 1 DIA EM JUNDIAÍ - SOLAR DO BARÃO

Hello, andarilhos. Tudo bem com vocês? O que tem de bom para hoje?


E continuamos na saga do que fazer em Jundiaí. Vocês sabem que eu sou a louca dos Museus e acho lindo quando outras cidades, principalmente do interior, tem centros culturais e museus. Isso dá um afago na alma.


Vamos conhecer o SOLAR DO BARÃO?

Há 158 anos atrás, Antônio de Queiróz Teles, o Primeiro Barão de Jundiaí, que também foi delegado e polícia, juiz de paz, produtor de café, deputado e vereador, ergueu o seu casarão, de estilo neorrococó ( estilo altamente decorativo, cores mais suaves com linhas curvas e delicadas).

Foi uma alegria para a galera altamente endinheirada. Ali, era o ponto de encontro de pessoas com boa influência e foi exatamente nessa casa que as decisões políticas mais importantes da cidade foram tomadas, na época.
Dizem que o Barão gostava de ajudar os mais necessitados. Não à toa, ficou conhecido como o Pai dos Pobres e que sempre tinha alguma coisa pronta para doar quando necessário.

Muitas personalidades importantíssimas passaram por aquela casa: o ex-Presidente Washington Luis que descansa no Cemitério da Consolação, o jurista Ruy Barbosa e até o nosso Imperador.

O Barão morreu em 1870 e mais tarde, a família ( esposa e filhos ) doaram à Associação das Irmãs de São Vicente de Paula, que alugaram para a Prefeitura e desde, então se tornou o museu que conhecemos hoje.

E, nos anos 1970, o casarão foi tombado pelo CONDEPHAAT, por causa de sua importância e sua arquitetura (feito com taipa de pilão, ainda com elementos originais, vidros decorados e muros divisórios) Assim, olhando rapidamente, o Solar me fez lembrar da CHÁCARA LANE que eu já falei por aqui. Clica no link.
A casa é vazia e tem exposições temporárias.

A cereja desse bolo todo é o Jardim, que é maravilhoso de lindo, com 1600 metros quadrados, com um mini jardim japonês, altamente romântico e dispões de placas indicativas com o nomes das plantas que existem por ali. E, eu fico tão feliz quando eu acontece isso.
Eu não sou botânica e não sou obrigada a saber nomes de árvores e plantas, não é verdade? Mal sei o que é um coqueiro. Então, parabéns por essa iniciativa.
O jardim é extremamente bem cuidado. No dia da vista haviam jardineiros cuidando, regando e podando os arbustos. Surreal.
Ali, é incrivelmente perfeito para namorar, tirar fotos, descansar de uma caminhada hard como a nossa, ler, olhar a movimentação que é bastante...

Pudera, segundo os sites especializados em turismo na cidade dizem que o Solar do Barão é o lugar mais frequentado em termos de cultura em Jundiaí: são cerca de 1200 pessoas que vão espontaneamente ao museu, tirando grupos guiados e excursões de escola, além de organizações sociais.
Talvez por que esteja bem no Centro da cidade. É só atravessar o Largo da Matriz e pronto.

Além de tudo isso, o Solar conta com um auditório que abriga 80 pessoas e tem um piano de cauda longa, muito utilizado para palestras, projeções de filmes e documentários, além de audições.
Não consegui ver o auditório, mas deve ser lindo.

Pois bem, um lugar lindíssimo e histórico que merece muito a sua visita. Imagina pisar no mesmo lugar que o Imperador pisou?
Sinta-se um viajante do tempo, se transporte para 100 anos atrás e entenda a importância desse lugar.

Endereço: Rua Barão de Jundiaí, 762 - Centro - Jundiaí
Telefone: 11 45216259
Horários: Terças-Feiras às Sextas-Feiras: 10h00 às 17h00 // Sábados e Domingos: 10h00 às 16h00 // Segundas-Feiras FECHADO
E-mail: museusolardobarao@jundiai.gov.br
NÃO TEM ESTACIONAMENTO
POSSUI WI-FI
GRATUITO

Pronto, andarilhos. Mais um museu para a conta e esse conta uma história lindíssima. Eu amo História e quem acompanha o blog sabe que muita coisa se interliga. É um barato.


Beijos importantes até sábado!


VAI VIAJAR?

Você sabia que quando você faz qualquer reserva com um link aqui no blog, o "Somos Andarilhos" ganha uma pequena comissão? Sim, aqui também é trabalho. Obviamente que você não é taxado a mais por isso e com esse presente para você, ainda ajuda o "Somos Andarilhos a se manter de pé e produzir mais conteúdos incríveis e de qualidade! Quer ver mais viagens e lugares maravilhosos por aqui? Então, vamos reservar?






quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

3 ANOS DE BLOG: CASA DA DONA YAYÁ

OLÁ, ANDARILHOS! FELIZ ANO NOVOOOOO!

Que saudades que eu estava e mais feliz ainda por comemorar 3 ANOS DE "SOMOS ANDARILHOS".
NEM ACREDITO QUE CHEGAMOS TÃO LONGE !!!

São cerca de 300 lugares incríveis para passar um dia maravilhoso com a família, os amigos, o mozão e o mesmo sozinho.
Caraca! 300 lugares? É muita coisa!

E se você permitir, será mais. Bem mais? Quem sabe logo mais, não rola uma viagem para uma gringa?
Veremos.

Enquanto não acontecer, vamos ao primeiro lugar de 2020.

Vocês curtem lendas urbanas? Daquelas tipo Loira do Banheiro, ET de Varginha, ET Bilú, Chupa Cabra, entre outros?
Pois é, apesar de comemorar o terceiro ano do blog, o local de hoje carrega muita dor e tristeza. 

Vamos conhecer a CASA DA DONA YAYÁ? 

Localizado no Bixiga, esse casarão construído no século 19 e estilo arquitetônico eclético (vários estilos), é considerado um dos sobreviventes ao pintar chácaras existentes em São Paulo, principalmente na Região Central.
Uma pena ter sobrado tão pouco para contar nossa história.

Esse caso surgiu em 1888 (não existe registro anterior a esse ano) e pertence a 3 homens em anos distintos até 1920.
Dos homens não irei falar. Acredito que eles não eram relevantes.

A partir de 1920, ou casarão pertence à SEBASTIANA DE MELO FREIRE. E sim, esse sim foi um MULHERÃO DA P **** TODA. E aqui, que começa a nossa história.

Mas, primeiro de tudo:

QUEM FOI SEBASTIANA DE MELO FREIRE?

Nascida em Mogi das Cruzes, em janeiro de 1887, foi filha de um importante político político
Retirado do site SP CITY. Yayá com toda a família.
 brasileiro; o Senador da Primeira República, Manuel de Almeida de Melo Freire.

Então, já devem imaginar como eram ricos, não é? Mas, como a desgraça acontece com qualquer um, a vida já é mostrada para essa garota que nada era fácil.
Apelidado carinhosamente de Yayá por seus pais, ela perdeu sua irmã que tinha 3 anos de idade asfixiada com uma porca desenroscada em seu berço. Pouco tempo depois, perdeu a sua outra irmã, vítima de tétano.

E para piorar tudo, ela perde os pais, com 2 dias de diferença. Tudo isso aos 13 anos de idade. Então, ela é mais um irmão que foi obrigado a ter um professor: Albuquerque Lins, futuro prefeito da cidade de São Paulo e que foi recomendado por um teste feito por seu pai.

E assim, vai para um colégio particular, o  SION e aprende a falar francês, piano e pintura. 5 anos depois, seu irmão, que usava depressivos e suicidas, jogava um navio no caminho de Buenos Aires, com apenas 23 anos, morrendo afogado.

Então, nossa princesa cheia de personalidade, aos 18 anos, passou a ser a única herdeira do patrimônio de sua família.

Apesar de toda a tristeza, Yayá estava tentando manter uma vida normal. Ela era independente, promovia saraus e recebia muitos artistas em sua casa.
Quem convivia com ela, diria que era religiosa, alegre e festeira.
Muito à frente do seu tempo, Yayá não quis se casar. Achava que todos os garotos se aproximam dela por interesse sem dinheiro e não por amor.
Era uma vez na sociedade, já que nessa época, mulher tão servia para ser esposa e mãe. Mais nada.

Pois bem, depois de um tratamento dentário que ocorreu complicações e uma viagem à Europa com amigas qualificadas, ela contraiu uma queixa espanhola e sua vida jamais voltaria a ser a mesma.

Também começou a apresentar demência. Aos 31 anos, começou a redigir o seu próprio teste e distribuição de jóias para os empregados. Um ano mais tarde, foi internado por tentativa de suicídio e disse que estava sendo perseguido.

Seu diagnóstico? Psicose Esquizofrênica. Mesmo sendo tratado pelos melhores médicos da época, a doença só avança.

Yayá foi interditado, já que não apresentou mais o seu julgamento perfeito. Nas últimas crises, na parede de correr, rasgava suas roupas, se flagelava automaticamente com qualquer objeto que encontrasse, embalsamar um filho que nunca existiu e outras coisas mais.
Então, surgiram parentes de todo canto para "tomar conta" de sua fortuna. Seus familiares compreendem o caso Bixiga, onde ela viveu isolada por 36 anos e se tornou o seu manicômio particular, adequado para todas as suas necessidades, porém sem contato com o mundo externo.

Foi um escândalo na época, porque seus pais entraram na Justiça para tomar esse dinheiro e nunca saíram das mãos dela, já que ela acabou vivendo mais do que todos eles.
Mesmo assim, teve uma vida longa. Morreu aos 76 anos por uma insuficiência cardíaca.
E como não tiveram herdeiros, todos os seus bens (imóveis, terrenos, dinheiro em conta, títulos e muito mais), foram para o governo e os compradores pela USP.


ENFIM, O CASARÃO!

E , desde 1986, O Casarão E administrado Pelo Centro de Preservação Cultural da USP COM UMA  Extensa Programação Universitária e culturais Como Cursos, Oficinas, Palestras, Exposições e debates Sobre O Nosso Patrimônio. Tudo isso, além de oferecer recursos para estudantes de ciências humanas.
Em 2016, o Casarão foi fechado para reforma para que pudesse usar os dispositivos de acessibilidade. 
São 13 cômodos que dão para andar livremente, sendo que 4 são apenas para uso interno.

Realmente, o lugar é coisa mais linda, o jardim é lindo, quase não vai muita gente e é super tranquilo. É perfeito para tirar suas fotos blogueirísticas.
Sem contar que andar pelo Bixiga é outro mundo. É uma delícia.

Acho que vale sim, é muito pena passar uma tarde na casa, em um ambiente que ganhou até o IPHAN pela categoria de Preservação do Patrimônio Cultural e que foi tombado em 1998 pelo Estado e pelo Município em 2002.

E se gravar acima, sobre lendas urbanas? Pois é. Para instigar ainda mais a galera,  esse rolo é considerado mal-assombrado. E porque?

Os moradores dizem, que, volta e meia, é possível escutar os gritos de Yayá e tempos em tempos, ela aparece na janela solicitando ajuda. E, que mesmo passado, mais de 100 anos de sua morte, também é possível ver o vagão branco pelas ruas, embalando um bebê inexistente.
Eu hein? Tem coragem?
Euive!

Pois então, curtiram? Essa casa é uma prova viva de como a loucura era tratada no século XIX. Imagine que você tem uma infância completamente normal e, portanto, sua vida fica na cabeça por uma hora e outra por outra, se torna orfã e completamente desprovida de suas faculdades mentais, sendo impedida de olhar para a cara da rua e sem contato com outras pessoas.
Triste, não?


Endereço: Rua Major Diogo, 353 - Bela Vista
Telefone: 11 2648-1501
Horários: Segundas-Feiras às Sextas-Feiras: 09h00 às 17h00 // Sábados e Domingos: FECHADO
Site:  CENTRO DE PRESERVAÇÃO CULTURAL
E-mail: cpcadm@usp.com.br // cpcpublic@usp.br
GRATUITO
NÃO TEM ESTACIONAMENTO


Ficamos aqui, andarilhos. Vida longa ao Somos Andarilhos e espero ter muitos passeios em 2020.
Muito obrigada por tudo!

Beijos festivos e até sábado!



VAI VIAJAR?

Você sabia que quando faz uma reserva com um link aqui no blog, o "Somos Andarilhos" ganha uma pequena comissão? Sim, aqui também é trabalho. Obviamente, você não é taxado mais por isso e com esse presente para você, ainda ajuda ou "Somos Andarilhos para manter o pé e produzir mais incríveis conteúdos e qualidade! Quer ver mais viagens e lugares maravilhosos por aqui? Então, vamos reservar?